Associado à imagem, o som exerce a função de realçar, enfatizar, criar e, por vezes, redundar uma situação ou um clima narrativo. A música contribui na criação de uma atmosfera de suspense, muitas vezes amedrontando mais do que a própria seqüência que se desenha na tela. A melancolia de uma canção colabora para tornar uma cena ainda mais dramática. A trilha sonora romântica e sonhadora traz um caráter pueril e um lirismo mais intenso às histórias de amor. Uma música vibrante e dinâmica parece avivar os contornos de uma seqüência de ação, tanto que estas desprovidas do som trazem de imediato uma sensação incômoda de que falta algo.
Nos primórdios do cinema (na época dos filmes mudos), quem se encarregava do som no cinema, eram pianistas ou mesmo orquestras inteiras. Eles tinham a função de “criar o clima” nas cenas. Depois veio o Vitaphone, uma máquina de projeção enorme, criada em 1927 que permitia sincronizar um filme a um disco de 78 rotações.

Vitaphone
Charlie Chaplin foi um dos primeiros, ainda no auge do cinema mudo, a se preocupar com a música em seus filmes. E neste caso, a música vinha para desempenhar uma função muito maior do que meramente ilustrativa. Chaplin preocupou-se com a música certa para a ação que se desenvolvia na tela. Apesar de funcionarem, eram pouco elaboradas e, talvez por isso mesmo, condizentes com seus filmes, que eram de pouca ou nenhuma complexidade. Já os filmes de Serguei Eisenstein eram de uma natureza dramática complexa, portanto ele preocupou-se com em fazer com que a música correspondesse à imagem, encomendando trilhas sonoras originais de compositores celebrados.
A princípio, a trilha sonora era apenas um elemento ilustrativo, mas em 1939, Fantasia, uma produção da Walt Disney surge para mostrar o quanto a música pode significar para a narrativa de um filme.
Charlie Chaplin, um dos primeiros a se
preocupar com a música no cinema
A trilha sonora acabou por tornar-se um elemento indispensável para o cinema. Assim como se tornou impossível dissociar a clássica música de Bernard Herrmann da antológica seqüência do assassinato no chuveiro de Psicose, a obra-prima de Alfred Hitchcock. O suspense e tensão que vemos na tela se deram muito devido à estridência dos acordes de violino da música de Herrmann.
clássica seqüência da obra-prima de Hitchcock
Outro exemplo são os filmes de Steven Spielberg em sua fase de maior sucesso, como Tubarão, E.T. e Contatos Imediatos de Terceiro Grau. Todos vieram acompanhados de trilhas que foram elevadas ao status de clássicas e que quando ouvidas remetem imediatamente aos filmes de Spielberg.
E já que o assunto é cinema, não dá pra deixar de ler:
http://www.bocadoinferno.com/romepeige/reanimator.html (DEMAIS!!!)
Em breve: Minhas trilhas sonoras favoritas...